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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Braços amigos

Foto retirada de o-voluntariado.html" target=_top>apfp.blogspot.com/2004/12/o-voluntariado.html

 

Isabella e Pilar conheciam muito bem o trabalho de várias instituições que promoviam voluntariado no local onde trabalhavam. Por vezes, era dedicação dos seus voluntários que tornavam os seus serviços mais humanos, alegres e conferiam um sorriso quando as coisas corriam menos bem, quando a dor era maior que a alegria, quando a morte teimava em entrar pela porta ou pela janela do serviço. Sabiam que a vida de muitos estava por um fio, que se vivia um dia de cada vez como se fosse o último, sem passado nem futuro, apenas o presente ...

Pilar nunca mais esquecerá uma senhora já de idade que estava saturada de estar em casa sem nada fazer e decidiu ainda estar a tempo de ajudar o próximo. Todos os dias às sete da manhã, lá estava ela a distribuir leite com café, chá e bolachas aos que aguardavam por uma consulta, a dar um sorriso, um carinho, uma palavra amiga a quem necessitava. A "avozinha" como a tratava carinhosamente trazia-lhe sempre  uns bolinhos de canela que só ela sabia fazer. Quando uma manhã não apareceu soube que algo tinha acontecido menos bom ... naquela noite um Anjo tinha-a levado para junto dele.

Esses braços amigos que iam passando pelo serviço, braços jovens, braços mais experientes ou braços que tinham passado pela doença e dado a volta à vida, faziam do seu serviço uma casa de família, um pequeno lar branco em que a amizade, o carinho e a ternura tornavam a dor mais doce ...

Precisamos sempre de um braço amigo, na alegria e na dor, não é verdade?

 

publicado por Ennoea às 17:34
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Um filho nunca morre ...

Foto retirada de http://desmat.no.sapo.pt

 

 

Naquela noite, Pilar e Isabella não conseguiam dormir, estavam demasiado excitadas, nervosas, ansiosas com os seus amores ...

Então, Pilar lembrou-se:

- Isabella, já reparaste que há muito tempo não olemos nenhuma carta?

- É verdade, Pilar! Andavámos a esquecer do tesouro que temos cá em casa.- disse Isabella.

E lá foi Isabella a correr direitinha à caixa. No caminho, já vinha a abrir o envelope ...

 

" Querida Cristina,

 

Como não consegui ligar-te, pois dizem que o teu número já não existe, resolvi escrever-te esta carta para te dar uma notícia.

Da última vez que falámos o estado de saúde do Alexandre tinha piorado, passava uma semana em casa e três no hospital. Nestes últimos dois meses o seu estado piorou de dia para dia, nem dei conta que já não falavámos há três meses. Achei estranho o teu silêncio, mas amiga, estava tão desorientada e sem forças que apenas me concentrava na possível cura do meu filho, nalgum tratamento milagroso que lhe pudesse dar mais uns anos de vida ou que aparecesse um dador compatível.

Deixei de acreditar na medicina, nos homens e em Deus ... que mal poderá ter feito uma criança para sofrer tanto como ele sofreu?

Sim, Cristina, o Alexandre faleceu há 15 dias, deixou-me ... deixou-nos ... ainda penso que é um pesadelo ou que ele ainda está no hospital ... mas a verdade é que o meu menino, o meu bebé, o meu anjo partiu ... e a dor é tão grande, o vazio que ele deixou é tão imenso que nada, nem ninguém jamais poderá substituí-lo ...

Não mexi no quarto dele, está tudo igual como ele gostava, as suas roupas estão arrumadas e direitinhas no guarda-vestidos. Os livros que ele gostava de ler, os seus brinquedos favoritos ... e quando a saudade aperta muito, vou deitar-me na sua cama, agarrada ao urso Pintinhas e adormeço a chorar.

Não sei se conseguirei viver assim ou sobreviver ... a única certeza que tenho é que um filho nunca morre, ele continua vivo no nosso coração, no nosso ventre como se fosse o primeiro dia de vida, de ser ...

 

Amiga, preciso de ti ...

 

Um beijo

 

Anabela"

 

publicado por Ennoea às 18:38
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Semente de ti ...

 

 

Foto retirada da net

  

 

"Querido Marco

 

Desde que sai de perto de ti a minha vida tem sido um inferno ... os meus pais afastaram-me de ti, obrigaram-me a sair dai e viemos para outro país ... dizem que não conseguiam viver com a vergonha de ter estado enamorada de ti ... porque tu não tens estudos, porque és pobre e de más famílias... mas a mim, o que isso importa? O que me importa é aquilo que és, independentemente das tuas origens ... amo-te pelo teu interior, pela tua alma, pela força e coragem que tens em ti ... sei que irás longe, és determinado e ambicioso ... mas és um ser humano lindo, capaz de ajudar os outros e de fazê-lo gratuitamente ...

Estou a escrever-te à pressa, pois receio que eles entrem pelo quarto a dentro, ando vigiada, mas a minha prima fará que esta carta chegue até ti ...

Tenho uma novidade para te dar ... não sei se ficarás feliz ou não ... o meu pai não quer que saibas, mas eu tinha que te dizer ... seria injusta para contigo e tu não o mereces ...

estou grávida ... vais ser pai ... espero que fiques feliz como eu estou ... é a única coisa boa que me tem dado esperança a toda esta humilhação ... é a tua vida em mim, o prolongamento do nosso amor, a perpetuação da nossa entrega ...

Quando ele nascer darei notícias ou assim que poder ...

Um beijo de Amor com muitas saudades ...

Da tua

 

Beatriz

 

publicado por Ennoea às 10:28
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